A vitamina K é uma substância essencial para a coagulação do sangue. Os bebés nascem com níveis baixos de vitamina K porque a passagem através da placenta é muito limitada. Para além disso, o leite materno contém apenas pequenas quantidades desta vitamina. Deste modo, todos os recém-nascidos têm um risco aumentado de hemorragia. Esta condição é chamada de doença hemorrágica do recém-nascido.
- Quais são os sintomas desta doença?
Na maioria das vezes, as hemorragias surgem de forma inesperada. Quando surgem sinais de alarme, estes podem incluir:
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- Hematomas fáceis, sobretudo na face e cabeça;
- Sangramento do nariz e do cordão umbilical;
- Pele ou gengivas muito pálidas;
- Coloração amarelada dos olhos após as 2 semanas de vida;
- Sangue nas fezes, fezes negras ou vómitos com sangue;
- Irritabilidade, convulsões, sonolência excessiva, ou vómitos recorrentes.
- Porquê dar vitamina K ao meu bebé?
A administração de vitamina K é essencial para prevenir hemorragias potencialmente graves. Os bebés que não recebem a injeção de vitamina K têm um risco 8 vezes superior de ter uma hemorragia grave. O risco de hemorragia persiste até aos 6 meses e pode afetar órgãos vitais como o cérebro, sendo potencialmente fatais.
A injeção de vitamina K após o nascimento é uma medida simples, segura e altamente eficaz para prevenir esta situação.
- O que está recomendado em Portugal?
Todos os bebés devem receber uma única injeção intramuscular de vitamina K até às 6h de vida. Uma única injeção reduz o risco de hemorragia em cerca de 98% dos casos.
Sim! A segurança foi documentada em vários estudos de alta qualidade. Todas as principais organizações internacionais de saúde recomendam a sua administração no nascimento.
- A via intramuscular é segura?
Sim! O risco de infeção ou inflamação no local da injeção é muito baixo.
- Quais são os bebés que têm mais risco?
Embora todos possam desenvolver a doença, o risco é maior em:
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- Bebés que são exclusivamente amamentados - os níveis de vitamina K só aumentam depois do início da diversificação alimentar (aos 4-6 meses) e até as bactérias intestinais começarem a produzi-la;
- Bebés prematuros (nascimento antes das 37 semanas de gestação);
- Partos instrumentados, com ventosa ou forceps;
- Bebés que vão ser operados;
- Bebés cujas mães tiveram que tomar determinadas medicações (ex: para epilepsia, anticoagulantes);
- Bebés com doenças do sangue ou do fígado.
- E se eu preferir dar por via oral?
Em Portugal não existe vitamina K oral e esta via não está recomendada. Os estudos têm mostrado que com a administração por via oral, mesmo em doses mais altas e durante vários meses, o risco de hemorragia permanece elevado até aos 6 meses de vida.
- E se eu não quiser dar vitamina K?
A recusa é um direito dos pais. Nestes casos os profissionais de saúde irão explicar os riscos da decisão e poderão solicitar o preenchimento de um formulário de recusa, para garantir que a decisão foi informada.
- Onde posso saber mais sobre este tema?
Referências bibliográficas:
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- American Academy of Pediatrics Committee on Fetus and Newborn: Controversies concerning vitamin K and the newborn. American Academy of Pediatrics Committee on Fetus and Newborn. Pediatrics 2003; 112:191-192
Elaborado por:
Margarida Ramalho, Isabel Moitinho de Almeida, Carolina Ramos - Internas de Formação Especializada em Pediatria, Departamento de Pediatria da ULS Santa Maria
Orientado por:
Dr.ª Isabel Sampaio e Dr.ª Raquel Gouveia - Serviço de Neonatologia da ULS Santa Maria
Texto elaborado para o Portal C&F, SPP dezembro de 2025©