CONSUMO DE TABACO E NOVAS FORMAS DE NICOTINA NA ADOLESCÊNCIA
O consumo de tabaco na adolescência é um problema global de saúde pública, agravado com o aparecimento de novas formas de tabaco ou dispositivos tecnicamente concebidos com design aliciante e suportados na falsa perceção de menor risco, face aos cigarros tradicionais.
Nos últimos anos, têm sido desenvolvidos novos produtos que não se encaixam na categoria de tabaco tradicional. Estes incluem dispositivos que libertam nicotina e/ou outras substâncias nocivas, aromas ou aditivos, sem necessidade de combustão.
Alguns exemplos são:
Apesar da indústria do tabaco afirmar que há uma redução em 90-95% na quantidade de substâncias nocivas nas novas formas de tabaco, e por isso “risco reduzido” para a saúde, estas alegações baseiam-se em estudos publicados pela própria indústria, com conflitos de interesse evidentes. Algumas destas formulações, apesar de poderem não conter nicotina, libertam outro tipo de substâncias químicas, como a glicerina e o propilenoglicol, igualmente prejudiciais para a saúde. Assim, atualmente, não existe evidência suficiente que suporte que estes produtos sejam menos prejudiciais ou tóxicos do que o cigarro tradicional, tanto para o consumidor como para quem o rodeia.
Entre os vários efeitos nocivos das novas formas de tabaco encontram-se:
Contudo, faltam dados a longo prazo para conhecer a totalidade dos efeitos nefastos destas formulações e o impacto real do risco para o desenvolvimento de várias patologias.
As novas formas de tabaco não causam dependência: Falso.
Entre as várias formulações disponíveis, algumas contêm níveis de nicotina muito superiores aos encontrados nos cigarros tradicionais. A nicotina é uma substância altamente viciante, mesmo em pequenas quantidades. Por outro lado, a variedade de aromas disponíveis torna estes produtos mais aliciantes e o seu consumo mais satisfatório, perpetuando-o. Sabe-se que os adolescentes e jovens são mais suscetíveis aos efeitos nocivos da nicotina e à evolução para a dependência. Mais facilmente o consumo ocasional se torna regular. A maioria dos fumadores adultos iniciaram o consumo na adolescência. O risco para a saúde é elevado nesta faixa etária.
São úteis para quem quer deixar de fumar: Falso.
Ao imitar o comportamento dos fumadores de cigarro tradicional, existe o risco de alteração do padrão do consumo para estes produtos, em alternativa à cessação tabágica, e a uma renormalização do consumo de tabaco em público. Adicionalmente, constituem uma tentação para os não fumadores e induzem os adolescentes a iniciarem hábitos tabágicos de forma precoce com uma falsa sensação de segurança.
Mensagens-chave
Todos os produtos de tabaco são nocivos para a saúde e não há um limiar seguro de exposição.
Os designs modernos e os vários sabores são pensados para te atrair. As redes sociais mostram o lado atrativo, ocultando os riscos reais para a saúde.
Ao experimentares por curiosidade ou para inclusão no grupo, podes ficar dependente e criares problemas de saúde.
Não te deixes levar pela tendência! Ser livre é escolher com consciência.
Apoios
Procurar um profissional de saúde (centro de saúde, médico assistente, farmácia)
Ligar Linha SNS 24: 808 24 24 24
Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo (DGS)
Download de apps de apoio
Procurar grupos locais de ajuda (escola, farmácia ou outros)
Referências bibliográficas:
Elaborado por:
Carolina Calçada, Laura Guerreiro, Carla Cruz
Hospital do Espírito Santo de Évora, Unidade Local de Saúde do Alentejo Central
Orientado por:
STOPtab – Grupo de Trabalho para o Controlo da Exposição ao Tabagismo da SPP
Texto elaborado para o Portal C&F, SPP